<F+>

<T+99>

<hist. 8 s. cap. 2>

<36>

Captulo 2



A Repblica Velha (1889-1930)



  No comeo, presidentes militares. Depois, a poltica seria 

dominada pelas oligarquias estaduais, principalmente de Minas 

e So Paulo. Os {coronis} controlavam os eleitores, 

aproveitando que o voto no era secreto.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Avenida Central no   o

  Rio de Janeiro, cerca de      o

  1910.                          o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  O Brasil ainda era o pas do caf, mas o governo tinha de 

ajudar os cafeicultores. Em segundo lugar nas exportaes, 

vinha a borracha. Timidamente a indstria ia se desenvolvendo.

Surgia o proletariado.



<37>

<P>

A Repblica da Espada



  No dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca 

vestiu a farda em cima do pijama, montou em seu cavalo e 

atravessou a rua para proclamar a Repblica. O imperador D. 

Pedro Ii foi obrigado a abandonar o pas. Agora, quem 

governava era o presidente do Governo Provisrio Republicano, 

ou seja, o prprio Deodoro.

  Na capital do pas, o Rio de Janeiro, a maioria das pessoas 

assistiu {bestificada} quilo tudo. No restante do Brasil, 

mais ainda. O regime havia mudado de surpresa, com um golpe 

militar. A populao brasileira no tinha sido consultada a 

respeito.

  Os dois primeiros presidentes do Brasil eram militares: o 

marechal Deodoro da Fonseca e o Marechal Floriano Peixoto. Por 

isso, esse perodo inicial da Repblica j foi chamado de 

Repblica da Espada.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura: O Marechal Deodoro   o

  da Fonseca comandou o golpe       o

  militar que derrubou o Impe-      o

  rador D. Pedro Ii e proclamou   o

  a Repblica em 1889. Mas os     o

  militares ficariam por pouco       o

  tempo no governo. O poder se-     o

  ria mesmo dos cafeicultores.       o

  (Pintura de Benedito Calixto,   o

  sculo Xx.)                       o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Observe, amigo leitor, que o fato de o Brasil ter se tornado 

uma repblica no fazia com que houvesse consenso (todos 

concordando) poltico no pas. Ou seja, as foras polticas 

ainda no tinham chegado a um acordo sobre a natureza do novo 

regime. Era como se dissessem: {Muito bem, temos uma repblica. 

Mas... e agora? Que tipo de repblica vai ser? Com democracia 

ou com ditadura? Os militares tero muito poder ou quem dever 

prevalecer sero os polticos civis? O poder central ser 

forte, ou cada estado ter bastante autonomia? Quem se 

destacar: o exrcito ou a marinha? Como deve ser a nova 

Constituio? O que mudar no Brasil?}.

  Os positivistas sonhavam com a {ditadura dos cientistas}, e 

alguns militares sonhavam com a {ditadura militar}. Os 

fazendeiros paulistas adotavam o liberalismo poltico 

inspirado no regime dos EUA e no darwinismo social (reveja a 

pgina 11 no livro em tinta), uma espcie de {cada um por si 

no vale-tudo do mercado}. Os republicanos radicais imaginavam 

que o novo regime faria com o Brasil o que a revoluo de 1789 

tinha feito com a Frana: iria estabelecer a liberdade e a 

igualdade, garantir os direitos dos cidados (reveja a pgina 

13 no livro em tinta).

<P>

  Todas essas questes eram muito importantes. Junto com elas, 

havia a pergunta mais decisiva: como alcanar o consenso -- 

por meio de um acordo ou da imposio?   

  A  que estava o ponto. Em vez do debate, da troca de idias 

e do consenso democrtico, as questes nacionais foram 

decididas autoritariamente. As opinies vencedoras foram as 

dos que tiveram mais fora para impor sua vontade. As tropas 

foram mobilizadas, muita gente foi presa, jornais fechados, 

polticos ameaados, pessoas assassinadas. E, quando baixou a 

poeira, viu-se que o poder estaria nas mos dos grandes 

cafeicultores. 



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Ilustrao de revista        o

  (1903) em estilo _art          o

  _nouveau, tpico do comeo      o

  do sculo Xx, mostra a jovem   o

  simbolizando a Repblica.      o

  Ela  loura, mas no tem       o

  feies brasileiras. Lembra    o

  a moa que simboliza a Revo-   o

  luo Francesa de 1789.       o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<38>

O curto perodo de Deodoro



  Vimos que o Marechal Deodoro, comandante do Exrcito, 

proclamou a Repblica e se tornou chefe do Governo Provisrio. 

O comeo do governo tinha aparncia democrtica: a Igreja foi 

separada do Estado (deixou de existir uma Igreja oficial) e 

foram convocadas eleies para a Assemblia Constituinte. Os 

membros eleitos da Assemblia Constituinte tinham a tarefa de 

elaborar a nova Constituio. Assim foi feito. Em 1891, ela 

estava pronta.

  A nova Constituio estabelecia que o presidente da Repblica 

seria eleito com voto direto do povo. Menos o primeiro, que foi 

indicado pelo Congresso Nacional, ou seja, pelos deputados e 

senadores eleitos pela populao. E o escolhido foi o prprio 

Deodoro. Sabe de que modo? Na hora de o Congresso eleger o 

primeiro presidente, Deodoro deu a entender que botaria os 

soldados na rua  sua disposio. Os deputados e senadores 

imaginaram os fuzis apontados, e acharam que aquilo tudo era um 

timo argumento para se votar no marechal...



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura: pintura do Mare-     o

  chal Deodoro. Deodoro procla-  o

  mou a Repblica e foi o pri-    o

  meiro presidente. Tentou fe-    o

  char o congresso e enfrentou     o

  a Revolta da Armada (mari-     o

  nha). Teve de renunciar.        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>

  O governo do primeiro presidente foi marcado pela crise. 

Para comear, a crise econmica. O ministro Rui Barbosa 

elaborou um plano econmico para estimular o crescimento da 

indstria, o Encilhamento. Mas o plano fracassou, aumentando 

demais a inflao (veja texto {O Encilhamento}). Para piorar, 

Deodoro nomeou vrios amigos para cargos importantes do 

governo, provocando protestos da oposio.

  Quando a imprensa criticou, Deodoro mandou fechar jornais e 

prender opositores. O Congresso, temendo que Deodoro 

implantasse uma ditadura militar, votou uma lei limitando os 

poderes do presidente da Repblica. Deodoro no aceitou e 

mandou fechar o Congresso. Diante disso, a marinha se rebelou 

e ameaou bombear a cidade do Rio de Janeiro. Muitos generais 

tambm estavam contra Deodoro. O poderoso PRP (Partido 

Republicano Paulista) protestou. 

  O pas estava  beira de uma guerra civil. Deodoro preferiu 

renunciar.

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Canho Armstrong,     o

  parte importante da artilha-     o

  ria defensiva montada por        o

  Floriano Peixoto para enfren-  o

  tar a Revolta da Armada        o

  (foto de 1893).                 o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



Floriano consolida a Repblica do caf 



  O Marechal Floriano Peixoto tambm era do exrcito. Tinha 

sido eleito vice-presidente e agora assumia no lugar de 

Deodoro. 

  A sada de Deodoro no tinha diminudo a tenso poltica. 

Muitos grupos rejeitavam Floriano: alguns generais e 

governadores partidrios de Deodoro, alm da prpria marinha, 

que ainda ameaava bombardear o Rio. Mas Floriano tinha gente 

poderosa a seu lado, principalmente os deputados e senadores 

do PRP (Partido Republicano Paulista), que representavam os 

fazendeiros mais ricos do Brasil. Esses cafeicultores queriam 

que Floriano acabasse com os tumultos polticos e botasse o 

governo nos trilhos. No caso, os trilhos da ferrovia que 

transportava caf para a exportao e os lucros para o bolso 

dos fazendeiros.

  Floriano agiu como um ditador. Mandou prender quem o 

criticava, fosse jornalista, general, governador, almirante ou 

deputado. Em Santa Catarina, por exemplo, ordenou o fuzilamento 

de inmeras pessoas.

  Mas Floriano tinha muitos admiradores. Geralmente, eram 

pequenos comerciantes, funcionrios pblicos e de escritrio do 

escalo inferior, estudantes, jovens oficiais do exrcito e 

alunos da escola militar. Esses {florianistas} receberam o 

apelido de jacobinos florianistas porque acreditavam que a 

ditadura republicana de Floriano protegeria a soberania 

nacional, combateria a corrupo e seria vantajosa para as 

camadas sociais populares.

  Floriano apresentou uma personalidade poltica contraditria. 

Adotou medidas a favor dos pobres do Rio de Janeiro, como o 

tabelamento do preo dos aluguis e da carne (por causa do 

Encilhamento, a inflao era alta). Mas tambm foi um 

governante autoritrio que perseguiu implacavelmente os 

opositores.

  O apelido de {marechal de ferro} foi conquistado na luta 

pela imposio de sua autoridade. Floriano Peixoto no recuou 

diante das ameaas da marinha de bombardear a capital do pas: 

fez um acordo com os Estados Unidos, que queriam aumentar sua 

influncia econmica sobre o Brasil, e comprou deles uma frota 

de guerra para perseguir os almirantes da Revolta da Armada. A 

frota e as foras armadas vindas especialmente de So Paulo 

perseguiram e derrotaram os revoltosos.



<39>

<P>

O Encilhamento



  Rui Barbosa, ministro do presidente Deodoro, criou um plano 

econmico para estimular o crescimento da indstria. O plano 

foi apelidado de Encilhamento.

  Para comear, o ministro Rui mandou ampliar a emisso de 

papel-moeda, ou seja, foram impressas muitas notas de dinheiro. 

Esse dinheiro seria emprestado para empresrios que quisessem 

montar fbricas. Percebeu? Um empresrio quer abrir uma 

industria. Precisa de financiamento e pede emprestado. O 

governo autoriza a fabricao de notas novas de dinheiro para 

financiar o projeto. Simples, no?

  Simples demais. O problema  que, quando se comea a 

fabricar muito dinheiro sem que a economia do pas tenha 

crescido tanto, esse dinheiro vai perdendo o valor.  fcil 

perceber isso, basta considerar a seguinte hiptese: imagine 

que, hoje, o governo d 100 milhes de reais para cada 

brasileiro. Os brasileiros tero ficado ricos? Claro que no, 

simplesmente os 100 milhes no valero nada, porque ningum 

ir vender uma mercadoria por um dinheiro que todo mundo tem 

no bolso. O resultado  que os preos aumentam loucamente e, 

depois de um tempo, os 100 milhes no daro para pagar nem 

uma balinha...



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Gravura do centro do Rio      o

  de Janeiro onde localizava-se    o

  a Bolsa de Valores, onde eram   o

  compradas e vendidas as aes     o

  das empresas. Note os capita-    o

  listas discutindo os efeitos      o

  da Encilhamento.                 o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

  Inflao  o nome dessa perda de valor do dinheiro. Mas o 

plano de Rui Barbosa no foi totalmente ruim. Alguns 

empresrios montaram fbricas com os financiamentos. Os 

fazendeiros tiveram mais dinheiro circulando, necessrio para 

investir, pagar salrios, etc. Mas a inflao,  bvio, cresceu 


muito. Pior ainda, indivduos, desonestos criaram empresas 

fantasmas (s existiam no papel), que foram utilizadas como 

pretexto para se conseguir o emprstimo garantido pelo governo. 

Essas empresas podiam ter suas aes negociadas na Bolsa de 

Valores! Ou seja, ganhava-se um bom dinheiro com empresas que 

no existiam de fato!

  O plano Rui Barbosa foi criticado duramente. Os especuladores 

ganhando com empresas fantasmas pareciam apostadores no Jquei. 

Encilhamento  o nome que se d ao ltimo momento das apostas 

nas corridas de cavalos, o instante em que os malandros se do 

bem, e os otrios se do mal. A economia brasileira, nessa 

poca, estava parecendo uma bolsa de apostas. Por isso, os 

inimigos de Rui chamaram o plano de Encilhamento.

  Rui Barbosa foi demitido. Os governos que vieram depois 

trataram de adotar linhas de austeridade econmica na 

tentativa de controlar a inflao: diminuram os gastos do 

governo (portanto, menos obras pblicas) e aumentaram os 

impostos.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura: caricatura da po-  o

  ca mostra o figuro espremen-  o

  do o pobre-coitado do povo.    o

  O Encilhamento enriqueceu    o

  alguns, mas a inflao dei-    o

  xou os mais pobres em          o

  dificuldades.                  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<40>

<P>

A Revoluo Federalista gacha



  No Rio Grande do Sul, no tempo de Floriano Peixoto, a 

situao era de guerra civil. Para voc ter uma idia, de 

1889 a 1893, o estado teve dezessete governadores diferentes!

  Os partidrios do governador e o latifundirio Jlio de 

Castilhos exigiam que ele tivesse amplos poderes. Por isso, 

tambm defendiam autonomia para cada estado do Brasil. Tinham 

o apoio de fazendeiros e grandes comerciantes de Porto Alegre.

  Na oposio, estavam os federalistas, tambm chamados de 

maragatos. Seu lder era o fazendeiro Gaspar da Silveira 

Martins. Queriam que o Poder Executivo fosse limitado e que 

os deputados estaduais gachos tivessem mais poderes que o 

governador. Apesar do nome _federalistas, aceitavam o poder 

central forte. Como Silveira Martins tinha sido senador no 

tempo do Imprio, os federalistas foram acusados de querer 

restaurar a monarquia.

  A Revoluo Federalista gacha estourou em 1893. As tropas 

maragatas marcharam sobre Curitiba e Desterro (antigo nome de 

Florianpolis), onde tentaram se unir aos almirantes rebeldes 

que vinham do Rio (da Revolta Armada, da qual falamos h 

pouco). Luta violenta. Os prisioneiros eram torturados e muita 

gente foi degolada.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: caricatura de          o

  1893. O almirante Custdio     o

  de Melo, derrotado no Sul,     o

  comparado a um rato engaiola-     o

  do. Vencedor, Floriano Peixo-  o

  to diz a ele: {Ahn! Encontra-   o

  mo-nos ou no nos encontra-       o

  mos?! Eis ai no que do as       o

  espertezas de rato}.              o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

  Floriano Peixoto apoiava Jlio de Castilhos. Enviou foras 

para Santa Catarina e ordenou um banho de sangue em Desterro. 

Por isso, numa estranha homenagem ao homem que mandou fuzilar 

tanta gente por ali, a cidade passou a se chamar Florianpolis.

  Por fim, em 1895, as tropas castilhistas derrotaram o 

exrcito maragato. Mais de dez mil pessoas tinham morrido. Ser 

mesmo que nossa histria sempre foi pacfica e cordial?

  No final de seu governo, Floriano Peixoto tinha conscincia 

de que no poderia se manter no governo sem o apoio dos homens 

mais ricos e poderosos do pas, os grandes fazendeiros. Teve de 

se curvar  vontade deles. Terminou seu mandato em 1894, 

vestiu o pijama, calou os chinelos e foi cultivar rosas na 

sua chcara.

  O novo presidente da Repblica, Prudente de Morais, era um 

cafeicultor paulista, ou seja, um civil.



A Repblica oligarquia



  Esse perodo que vai da queda do Imprio, em 1889, at a 

Revoluo de 1930  chamado de Repblica Velha. Durante todos 

esses anos valeu a Constituio de 1891. Que estabelecia o voto 

direto para presidente. Mas o fato de o povo votar no queria 

dizer que o governo fosse popular. Na verdade, as eleies da 

Repblica Velha eram famosas pelas fraudes e pela manipulao 

dos votos, sempre a favor das oligarquias estaduais. Portanto, 

no final das contas, que tinha mesmo o poder eram as 

oligarquias estaduais.

  Mas o que eram as oligarquias?

  Oligarquias quer dizer {governo de poucos}. Na Repblica 

Velha, somente alguns grupos privilegiados de latifndirios  

que tinham ligaes com o Estado e recebiam apoio dele. 

<P>

  Imagine uma foto daquelas antigas, com trs fileiras de 

pessoas. Atrs, em p, os homens de terno. No meio, sentadas 

em cadeiras, as moas e as senhoras. Na frente e sentadas no 

cho, vestidas de marinheiros, as crianas. A posio dessas 

pessoas na foto indicava a hierarquia: os machos adultos 

considerados os mais importantes, ficam no alto. Essa foto 

amarelada  de uma rica famlia de latifundirios. Nela, esto 

o pai, os filhos, os genros. Entre eles, alguns 

ex-governadores, prefeitos, deputados e polticos destacados 

do estado. Como voc percebe, a famlia era muito importante. 

Ningum naquele estado podia ser eleito governador ou senador 

sem o apoio dela. Percebeu? Latifundirios, ricos, com poderes 

polticos naquele estado, eles faziam parte da oligarquia 

dominante. Agora, se voc sasse para outro estado, veria que 

aquela famlia no tinha influncia. Na Paraba, por exemplo, 

a oligarquia dominante era a famlia Neiva. No Cear, mandavam 

os Acioly; em Pernambuco, os Rosa e Silva; e assim por diante.

<41>

  Todos os estados do Brasil tinham suas oligarquias 

dominantes. Em alguns estados maiores, a oligarquia dominante 

era formada por vrias famlias de latifundirios. Era o caso, 

por exemplo, do Rio Grande do Sul, de So Paulo, do Rio de 

Janeiro e Minas Gerais. Nesses estados, os partidos polticos 

existiam exatamente para esses grupos se entenderem. Era o 

caso, por exemplo, do PRP (Partido Republicano Paulista).

  A Constituio de 1891 estabelecia o federalismo, ou seja, 

que cada estado teria muito autonomia para decidir seus 

prprios problemas. O poder central, na capital, estava 

diminudo. Voc j deve ter percebido que esse federalismo 

interessava s oligarquias estaduais, que assim poderiam fazer 

o que quisessem em  seus estados sem ser incomodadas pelo 

poder central do pas.    



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura: pintura sobre a       o

  vista do centro de So Paulo   o

  em 1910. Vem-se a avenida     o

  So Joo e o Teatro Munici-  o

  pal. A cidade prosperava,       o

  mas ainda estava longe de        o

  ser tomada por edifcios         o

  com dezenas de andares.          o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: pintura de um        o

  homem sentado na soleira da     o

  porta. O caipira trabalhou o   o

  dia todo na roa e agora        o

  descansa. Esse era o jeito     o

  de viver da maioria dos bra-    o

  sileiros. A populao urbana   o

  ainda era reduzida. (Pintura   o

  de Almeida Jnior, final do   o

  sculo Xix.)                   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

A Poltica do Caf com Leite



  As duas oligarquias mais poderosas eram a paulista e a 

mineira. O presidente da Repblica era eleito, mas o resultado 

era geralmente combinado entre as duas oligarquias. Tratava-se 

da clebre Poltica do Caf com leite.

  Naquela poca, no havia partidos nacionais no Brasil, isto 

, presentes em todos os estados. O PRP (Partido Republicano 

Paulista) e o PRM (Partido Republicano Mineiro) existiam 

apenas para defender os interesses especficos das oligarquias 

mais destacadas. Pois bem, antes das eleies reuniam-se as 

cpulas do PRP e do PRM, que conversavam e chegavam a um 

acordo. Lanavam ento um candidato  presidncia, que sempre 

era eleito.

<P>

  So Paulo era o estado mais rico do pas por causa do caf. 

Minas Gerais, com tradio pecuarista, era grande produtor de 

leite. Da o nome {Caf com Leite} para indicar esse domnio 

paulista--mineiro nas eleies presidenciais. Mas  bom no 

esquecermos que Minas era tambm o segundo produtor nacional 

de caf.



<42>

A poltica dos governadores



  E como  que as outras oligarquias do pas encaravam o fato 

de haver um esquema para que o presidente da Repblica fosse 

sempre indicado por Minas e So Paulo, alternadamente? Os 

outros estados aceitavam a Poltica do Caf com Leite?

  Aceitavam, porque eram mais fracos e estavam integrados a um 

esquema chamado Poltica dos Governadores. Esse esquema foi 

montado pelo presidente Campos Salles (que governou de 1898 a 

1902) com o objetivo de garantir a colaborao entre o poder 

central e o poder dos estados.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: esquina de uma rua     o

  em Recife. A maioria da po-   o

  pulao ainda vivia no campo    o

  e a agroexportao era a        o

  principal atividade econ-      o

  mica. A sede do poder, entre-  o

  tanto, no estava nas fazen-    o

  das dos coronis. Encontrava-  o

  se nas capitais, onde viviam    o

  os governadores. Em Pernam-   o

  buco, por exemplo, ficava       o

  em Recife (rua Duque de       o

  Caxias, 1.907).               o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Como  que funcionava? A Poltica dos Governadores era uma 

espcie de acordo nacional entre todas as oligarquias 

estaduais. O presidente da Repblica nem queria saber qual 

era a oligarquia que estava dominando cada estado. Ele 

simplesmente apoiava essa oligarquia e pronto. Em troca, 

esperava que as oligarquias dos estados tambm o apoiassem. Um 

jogo de toma-l-d-d, percebeu? Havia um apoio mtuo entre o 

presidente e os governos estaduais. No Congresso Nacional, os 

deputados e os senadores (que tinham sido eleitos representando 

as oligarquias) estavam prontos para colaborar com o presidente 

da Repblica.



Os coronis e o voto de cabresto



  Em cada estado, os governadores tambm precisavam trocar 

favores com os coronis. (O coronel no era um militar. Esse 

era o apelido comum para o latifundirio. Os coronis tinham 

fora poltica no mbito municipal. Ou seja, nas cidadezinhas 

do interior, mandavam no prefeito, no padre, nos vereadores, 

no delegado, no juiz, nos comerciantes. Alm disso, controlavam 

a multido de eleitores da cidadezinha e das reas rurais por 

perto. Quase todo mundo votava no candidato que eles indicavam. 

Era como se tivessem um verdadeiro rebanho de pessoas que 

votavam servilmente, um verdadeiro curral eleitoral.    

  Por que era fcil o coronel controlar os votos de seu curral 

eleitoral? Porque a Constituio de 1891 estabeleceu que o voto 

no seria secreto. Isso mesmo, qualquer pessoa poderia saber 

em quem voc tinha votado. Bastava ler o seu voto. Agora, 

imagine que voc fosse votar dentro da fazenda do coronel, num 

lugar dentro com um enxame de homens armados. Voc teria 

coragem de votar em algum diferente do candidato oficial? Bem, 

a no ser que voc quisesse virar uma peneira humana com os 

tiros dos jagunos,  claro que seu voto seria no candidato do 

coronel, no  mesmo? Na verdade, o coronel nem precisa usar a 

fora. Geralmente, na poca das eleies, ele dava festas, 

distribuda enxadas e faces para os homens da roa, reformava 

a igreja, prometia instalar uma escolinha. Em troca, as pessoas 

votaram no seu candidato (lembremos que o voto podia ser 

controlado porque no era secreto).

  Esse esquema de barganha presentinho _versus voto  chamado 

de clientelismo eleitora. Os coronis se utilizavam do 

clientelismo eleitoral para dirigir o voto das pessoas. Era 

como se pusessem cabresto para guiar o eleitor, do mesmo jeito 

que se bota cabresto para guiar o cavalo. Da o nome voto de 

cabresto.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: o desenhista K.   o

  Lixto, do comeo do sculo   o

  Xx, ironizou o sistema de    o

  voto aberto. A poltica,     o

  velha senhora, quer impedir   o

  que a verdade saia nua das    o

  urnas e tenta cobri-la com    o

  a folha de parreira da        o

  fraude eleitoral.             o

eieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<43>

  Voc captou direitinho como funcionavam as coisas? Vamos ver 

um exemplo. Suponhamos que os coronis de uma regio no 

interior do Brasil precisassem de uma ponta que ligasse suas 

propriedades a uma estrada importante. Quem ergueria a ponte? 

Ponte custa caro, voc sabe. E quem tinha dinheiro para 

constru-la era o governo estadual. Mas o governo estadual s 

faria a obra em troca de um favor dos coronis: nas eleies, 

eles teriam de arrumar votos para os candidatos indicados pelo 

governador. Os coronis cumpriam a promessa exatamente porque 

controlavam seu curral eleitoral. Essa troca de favores 

polticos era tpica da Repblica Velha. Ela ia desde o 

presidente da Repblica at o mais humilde eleitor do serto.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: famlia do coronel     o

  Donnel, em Parnagu, cidade-  o

  zinha do Piau, em 1912.      o

  Repare que a casa atrs       o

  grande, mas deteriorada.        o

  As roupas so boas. Muitos    o

  coronis, especialmente no      o

  Nordeste, no eram ricos.      o

  Seu poder vinha da proprie-    o

  dade da terra e das ligaes    o

  polticas com os governado-     o

  res, com quem trocavam favo-    o

  res.                            o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



Constituio de 1891 e domnio oligarquico



  Durante toda a Repblica Velha (1889-1930), valeu a 

Constituio de 1891. Ns vimos que essa Constituio foi 

feita ainda no tempo do primeiro presidente, Deodoro da 

Fonseca. A maioria dos membros da Assemblia Constituinte era 

composta por fazendeiros ou por polticos ligados a eles. No  

difcil perceber ento que a nova Constituio estava cheia de 

artigos favorveis s oligarquias rurais.

  Estabeleceram-se trs poderes. No mbito federal, o chefe do 

Poder Executivo era o presidente da Repblica. Ele deveria 

administrar o pas em constante dilogo com o Poder 

Legislativo, constitudo pelo Congresso Nacional. O Congresso, 

por sua vez, era composto pelos deputados federais e pelos 

senadores. Sua funo principal era elaborar leis federais 

(que valiam para todo o pas) e fiscalizar os atos do 

presidente. O Poder Judicirio era composto pelos juzes e 

tribunais, que zelavam pelo cumprimento das leis. Isso tudo 

era razoavelmente democrtico e mostra a influncia da 

Constituio norte-americana sobre alguns pontos da nossa. Mas 

no devemos nos enganar: no fundo, essa Constituio favorecia 

as oligarquias. 



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: mulher sentade em    o

  uma cadeira, lendo. A leitu-   o

  ra da mulher rica. A Consti-  o

  tuio republicana (1891)      o

  assegurava o predomnio da      o

  {boa sociedade}.                o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  O presidente, os governadores e prefeitos, os deputados 

federais e estaduais, os senadores e os vereadores eram 

eleitos com o voto direto. Mas nem todos podiam votar. Para 

comear, o voto era masculino. As mulheres estavam excludas. 

Tambm no votavam os menores de 21 anos, os soldados, os 

padres e os analfabetos. Ou seja, mais de 80% dos brasileiros 

ficavam de fora.

  O voto no era secreto. Falamos disso h pouco, lembra? Por 

causa do voto a descoberto (em aberto), os coronis podiam 

controlar os eleitores. Tambm era fcil rasurar o voto. Na 

verdade, as eleies na Repblica Velha eram marcadas pela 

fraude eleitoral. Votos alterados e uma enxurrada de votos de 

gente que no existia, que tinha falecida, de analfabetos. A 

roubalheira eleitoral era um dos instrumentos de poder dos 

coronis e das oligarquias.

  O federalismo significava que cada estado tinha muita 

autonomia. O poder central praticamente no interferia, 

favorecendo as oligarquias estaduais, que queriam liberdade 

para mandar em seus estados sem interveno de fora.

  A Igreja foi separada do Estado. Agora, no existia mais 

religio oficial. Qualquer grupo de crena religiosa poderia 

abrir seu templo na rua. O Estado no tinha mais o poder de 

mandar na Igreja catlica do Brasil.

  Note que essa Constituio no inclua nada sobre direitos 

dos trabalhadores ou justia social.



<44>

<P>

O Brasil afundava no caf



  O caf no total das exportaes do Brasil (%)



<F->

!::::::::::::::::::::::::::::::.

l                        73   _

l   68                     _

l       52              _

l           47       _

l                  _

l                  _

l                  _

l                  _

l  1895  1905  1915  1925  _

h::::::::::::::::::::::::::::::j

<F+>



  Como voc observa no grfico, em 1895 o caf representava 

68% de todo o dinheiro que o Brasil conseguia exportando 

produtos. Nos anos seguintes, diminuiu a fatia do caf no bolo 

que reunia todos os produtos exportados pelo Brasil. O motivo 

foi a queda do preo internacional e tambm o crescimento da 

fatia das exportaes de borracha da Amaznia. Depois de 1925, 

com a queda da borracha, aumentou a participao do caf.



O caf era um rei em decadncia



  O caf continuava sendo o produto mais importante do Brasil. 

Chegou a representar cerca de 70% das exportaes do pas. A 

riqueza e o poder dos cafeicultores fizeram com que a Repblica 

Velha tambm fosse chamada de Repblica do caf.

  O problema era que os preos internacionais do caf estavam 

caindo. Portanto, os lucros dos fazendeiros tambm diminuam. 

Por que os preos caam? O motivo principalmente era a 

superproduo: o Brasil estava produzindo muito mais caf do 

que as necessidades do mercado mundial. Havia mais caf do que 

gente precisando compr-lo. E voc sabe que, em geral, quando 

um produtor est abundante no mercado e no h tantos 

compradores assim, a tendncia  o preo dele cair. A velha 

histria da oferta alta e da procura baixa. Notou? Quem 

decidia o preo do caf no eram os cafeicultores do Brasil. O 

preo era determinado pelas condies do mercado. Como a 

produo era muito alta, o preo caa. Alm disso, esse mercado 


no era totalmente livre. Grande parte dele estava controlada 

por megaempresas americanas e inglesas de 

importao--exportao, os famosos monoplios capitalistas dos 


pases imperialistas (estudamos isso no captulo anterior, 

lembra?). Eles manipulavam os preos a seu favor.

  No incio do sculo Xx, a situao dos cafeicultores estava 

complicada. Preo baixo, milhes de sacas encalhadas, sem 

comprador. Como resolver o problema? Quem poderia comprar 

aqueles estoques, quem poderia pagar um preo melhor? Pense um 

pouco. Acertou! Era o governo da Repblica Velha. Na cidade 

paulista de Taubat, os cafeicultores de So Paulo, Minas 

Gerais e Rio de Janeiro montaram o Acordo de Taubat (1906). 

Ficava acertado que os governos comprariam os estoques 

excedentes de caf.

  Mas de onde o governo tiraria dinheiro para comprar a preo 

alto esse caf encalhado? Um jeito foi pedir dinheiro aos 

banqueiros ingleses, que consideravam um timo investimento 

emprestar para o governo brasileiro a altos juros. A outra 

maneira de o governo levantar recursos para comprar o caf 

excedente era simplesmente aumentando os impostos. Sacrificar 

mais ainda o povo para que os latifundirios continuasse 

tranqilos. Para salvar a pele dos cafeicultores, esfolavam a 

populao. D para voc imaginar o quanto os cafeicultores e o 

governo deles eram odiados pelo povo da Repblica Velha.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Embarque de caf em    o

  Santos, incio do sculo Xx.   o

  O porto de Santos se tornou    o

  o maior do Brasil em funo     o

  das exportaes de caf. Re-    o

  cebia produtos das fazendas      o

  de So Paulo. Repare no tra-  o

  balho pesado dos estivadores.    o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<45>

O apogeu da borracha na Amaznia



  A seringueira  uma rvore natural da Amaznia. Nem precisa 

plantar, se acha fcil na floresta. Fazendo uns atalhos no 

tronco, o seringueiro extrai um lquido leitoso grudento. Esse 

lquido vai secando e formando uma bola macia. A bola  a 

matria-prima para fazer borracha.

<P>

  A borracha j era conhecida no sculo Xix. Mas ela tinha o 

defeito de ficar mole nos dias de calor e quebradia no 

inverno. At que, em 1839, o engenheiro americano Goodyear 

descobriu que dava para resolver esse problema colocando a 

borracha no fogo para se combinar com enxofre (processo de 

vulcanizao). A partir da, a borracha destacou-se na 

indstria mundial: era matria-prima para a produo de peas, 


solas de sapato, pisos e coberturas, luvas, vedaes, etc. No 

comeo do sculo Xx, a indstria automobilstica comeou a se 

desenvolver espetacularmente. Os pneus dos carros so feitos 

de borracha. Adivinhe onde  que o mundo vinha pegar 

matria-prima para fazer a borracha? No Brasil, na Amaznia.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: O seringueiro queima   o

  a bola de ltex junto com o      o

  enxofre.                         o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Entre 1890 e 1920, a borracha foi o segundo produto de 

exportao do Brasil. S perdia para o caf. Muitos lati-

fundirios, donos de seringais, ficaram milionrios. Manaus e 

Belm construram belssimos palacetes para esse bares da 

borracha. Homens to ricos que, s para aparecer, mandavam 

lavar as roupas em Paris. Acendiam o charuto queimando uma 

nota de 100 libras esterlinas. Na selva, porm, era diferente. 

L, trabalhavam os pees. Geralmente, nordestinos fugidos do 

latifndio e da caatinga seca para reencontrar o latifndio na 

selva mida. Calor equatorial, picadas de cobra, malria, 

trabalho infernal em troca de uma mixaria. Ser sempre assim 

em nossa histria? Riqueza de uns poucos e misria de muitos?



Estica e encolhe



  Contribuio da borracha no total das exportaes do Brasil 

(em %)



  1891-1900: 15

  1901-1910: 28

  1911-1920: 12

  1921-1930: 3



  Observe que em dez anos, de 1891 a 1900, o valor pago pela 

borracha brasileira representava 15% do total das exportaes 

do Brasil. De 1901 a 1920, essa proporo subia a 28%, quase 

um tero! Mas de 1921 a 1930, j era visvel a decadncia.



<F->

(((((((((((((((((((((((((((((((

  Pea ajuda ao professor.  y

ggggggggggggggggggggggggggggggg

<F+>



<P>

  Durante alguns anos, a borracha brasileira dominava o 

mercado internacional. At que os ingleses comearam a 

produzi-la em colnias na sia. O preo internacional caiu e 

a borracha brasileira perdeu seus mercados. Os seringais foram 

abandonados e a Amaznia voltou  misria.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: O grandioso Tetro     o

  Amazonas, em Manaus, foi       o

  inaugurado em 1896. Recebeu    o

  os grandes artistas da poca,    o

  como o cantor de pera Enrico   o

  Caruso, considerado o melhor    o

  do mundo. Esse teatro teste-    o

  munhou uma poca em que a        o

  riqueza da borracha sustentou    o

  uma orgulhosa elite local.       o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<46>

<P>

O caf, os imigrantes, a industrializao



  Ns vimos que logo no governo de Deodoro, o primeiro 

presidente, o ministro Rui Barbosa tentou estimular o 

crescimento com o plano do Encilhamento. Mas acabou demitido. 

A partir da, nenhum governo na Repblica Velha deu apoio  

indstria. Era at comum um ministro ou deputado fazer discurso 

defendendo a {vocao agrria do Brasil}, como se a indstria 

fosse uma coisa estrangeira ruim para o Brasil. No fundo, os 

fazendeiros temiam que o apoio do governo  indstria 

diminusse os recursos que poderiam ajudar os cafeicultores.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: cartaz da socie-     o

  dade anonyma Estamparia Co-   o

  lombo. Na Repblica Velha,   o

  as principais indstrias        o

  fabricavam tecidos e roupas.    o

  Na Europa e nos EUA, as     o

  indstrias mais importantes     o

  eram as de ao e de mquinas.   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Apesar disso tudo, nas Repblica Velha comearam a surgir 

muitas indstrias. Preste ateno, porque essa  uma novidade 

importante na nossa histria. Pela primeira vez, o nmero de 

fbricas no pas comeou a ser considervel. O Brasil no 

podia ser mais visto como um pas apenas agrrio, embora a 

agroexportao ainda representasse o setor mais destacado da 

economia nacional.

<P>

  As indstrias eram de pequeno porte. Poucas tinham mais de 

100 operrios. O comum era mesmo uma fbrica pouco maior do 

que uma oficina, com cinco ou seis empregados.

  Os estados que mais evoluram industrialmente foram So Paulo 

e Rio de Janeiro. Como foi possvel surgirem fbricas nesses 

dois estados?

  O capital investido na indstria vinha do caf. Em So Paulo, 

muitos fazendeiros do caf investiam uma parte de seus lucros 

em outros negcios. Tornavam-se scios de companhias 

ferrovirias, de bancos, empresas de comrcio e, claro, 

fbricas. Por isso mesmo a indstria paulista pde crescer 

tanto, j que So Paulo era o estado cafeicultor mais rico.

<P>

  No estado do Rio de Janeiro e na capital, o caf j estava 

em decadncia. Mas aquele passado de riqueza do caf havia 

tornado a cidade do Rio de Janeiro a maior e mais rica do 

pas. A capital do Brasil contava, no comeo do sculo Xx, com 

quase 1 milho de habitantes. So Paulo chegava apenas a 100 

mil moradores.  fcil ver que o Rio de Janeiro tinha riqueza 

e mercado consumidor suficientes para que se pudesse investir 

na indstria.

  Alguns industriais eram imigrantes. Eles chegavam com 

algumas economias no bolso e abriam uma pequena indstria. Com 

o tempo, essa indstria foi crescendo e eles puderam 

enriquecer. Foram nomes famosos como os italianos paulistas 

Matarazzo e Crespi.

  Quem trabalhava nas fbricas? Filhos de escravos, 

descendentes de portugueses pobres e muitos imigrantes 

estrangeiros. Em So Paulo, dois teros dos operrios eram de 

imigrantes italianos, espanhis e portugueses. No Rio, quase a 

metade. Formavam uma nova classe social na nossa histria, o 

proletariado.

  Que tipo de indstrias proliferaram na poca? Certamente no 

foram usinas de ao, fbricas de motores ou de automveis. 

Essas indstrias exigiriam muito investimento de capital e 

conhecimento tecnolgico. A burguesia industrial que estava 

nascendo no Brasil ainda no tinha recursos para isso. Desse 

modo, a maioria das indstrias abertas era de bens de consumo: 

sabo, tecidos, comida enlatada, cerveja, sapatos, vidros, 

tijolos, porcelana, objetos de couro, queijo, roupas. A 

maioria, fabriquetas de fundo de quintal.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Centro de So Paulo   o

  em 1902. Note os postes com     o

  fios eltricos e o bonde          o

  sobre os trilhos.                 o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

Uma economia ainda agrria



  Na Repblica Velha, as exportaes giravam em torno do caf 

e da borracha. O acar ainda tinha importncia, embora muitos 

engenhos nordestinos estivessem em decadncia. Tambm se 

produzia acar no Rio de Janeiro (norte fluminense) e em So 

Paulo.

  O cacau se desenvolveu por causa da indstria de chocolates 

na Europa. As plantaes se espalhavam pelo sul da Bahia, em 

torno de ilhus.

  O Sul do Brasil exportava carne, couro e erva-mate. Porm, os 

estancieiros (criadores de gado) gachos estavam ficando nas 

mos de grandes empresas estrangeiras donas de frigorficos. 

Muitas se instalaram na Repblica Velha, controlando o mercado 

e comprando carne dos fazendeiros a preos muitos baixos para 

depois revend-la na Europa.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Camponeses pobres      o

  fazem farinha, em foto de        o

  1911. Note o barraco. Assim   o

  moravam os pobres.               o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<47>

O imperialismo e a Repblica Velha



  Ns j mostramos que as empresas estrangeiras estavam 

investindo em  vrios setores da economia brasileira. 

Companhias inglesas americanas, alems e francesas controlavam 

as exportaes brasileiras, eram proprietrias de ferrovias, 

companhias de luz e de bondes, de frigorficos para armazenar 

carne. Os bancos estrangeiros lucravam bastante emprestando ao 

governo brasileiro e cobrando juros altos. Tudo de acordo com 

a expanso imperialista.

<P>

  Note que naquela poca os monoplios estrangeiros investiam 

pouco em fazendas ou indstrias no Brasil. Preferiam o chamado 

setor tercirio, o de servios: eram donos de bancos, empresas 

de transporte (ferrovias, bondes), comrcio (companhias de 

exportao de caf, algodo, borracha, etc.), companhias de 

eletricidade, telgrafo, instalao de esgoto.

  At a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o pas que mais 

tinha capital investindo no Brasil era a Inglaterra. Nos anos 

20, os investimentos das empresas norte-americanas tornaram-se 

os maiores. A partir da, a influncia dos EUA sobre a nossa 

economia superou a das outras naes.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: caricatura. Na    o

  poca, os caricaturistas      o

  cariocas faziam piada com o   o

  atraso da economia brasilei-  o

  ra. A legenda dizia que as   o

  trs indstrias mais impor-   o

  tantes do pas eram o angu    o

  da baiana, o caldo de cana    o

  nas esquina e... o jogo do    o

  bicho.                        o

eieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<48>

Situao difcil, revolta do povo



  Como voc pde ver, o liberalismo poltico das oligarquias 

da Repblica Velha era uma espcie de {cada um por si} (cada 

oligarquia estadual por si) associado a um sistema eleitoral 

no qual era forte quem controlasse mais eleitores. O pas 

estava nas mos das oligarquias, especialmente das oligarquias 

mineira e paulista. A situao da populao mais pobre era 

muito difcil. Por isso, no  de espantar que a Repblica 

Velha tenha sido tambm um perodo que concentrou diversas 

revoltas polticas e sociais.  o que estudaremos nos 

captulos 4 e 9.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

  Foto: Criana operria.  o

eieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



Texto complementar



  A Repblica Velha j foi chamada de Repblica dos Coronis 

por causa do grande prestgio poltico que eles possuam. Em 

muitos lugares, os coronis at estavam em declnio econmico, 

e sua fora vinha principalmente do controle que exerciam sobre 

os eleitores: o clebre {voto de cabresto}. Vamos ler um pouco 

mais sobre o coronelismo na Repblica Velha e ver como ele 

constitua uma pea importante da mquina poltica das 

oligarquias:



  {A expresso coronel advm do ttulo da Guarda Nacional. 

Esse titulo significava autorizao do poder central ao chefe 

local para que este possusse gente armada a seu servio. 

(...) o ttulo era entregue ao chefe municipal de prestgio 

(o latifundirio mais rico e ligado ao governo estadual) e a 

ele cabia todo o poder decisrio ao nvel do municpio: 

econmico, poltico, judicial, policial. (...)

  {O poder local, dono dos votos, ganhava fora. Temos um 

compromisso entre o coronel, dono dos votos, e o Estado, com 

seus juzes e delegados de polcia. Em troca da garantia da 

maioria, o coronel recebia juiz e polcia, obedientes a seus 

desmandos e caprichos. A figura do coronel ganhava prestgio 

local e um poder que na verdade era de fachada. Existia 

enquanto o coronel obedecesse o governo. (...) O coronel manda 

em seu pedao, em pequenas questes, enquanto  obediente ao 

governo nas grandes questes}.



  (Trevisan, Leonardo. {A Repblica Velha}. So Paulo: Global, 

1982. pp. 24-26.)



  A partir do que  apresentado pelo autor do texto acima, 

procure responder:



  1. Os jagunos eram bandos de homens armados que obedeciam 

cegamente aos coronis. Quem autorizava os coronis a ter esse 

grupo armado  sua disposio?



  2. Os coronis mandavam nos governos estaduais? Qual era a 

rea em que valia o poder de um coronel?



  3. Havia uma troca poltica de favores entre o coronel e o 

governo estadual. O que cada um dos lados oferecia ao outro?



  4. Por que o autor diz que o poder do coronel era {de 

fachada}?



<49>           

Exerccios de Reviso



  1. Durante uma eleio para governador do Rio Grande do 

Norte, na poca da Repblica Velha, o coronel Jos Bezerra 

Galvo assim aconselhava um candidato: {Amanh o senhor passar 

por Currais Novos, municpio de que sou representante; ali no 

haver foguete, banquete e falao e  provvel que no 

aparea ningum com intuito de manifestao; vai o senhor se 

hospedar na casa do meu sobrinho Srvulo Pires, porque o 

senhor anda aqui atrs de voto e no de manifestaes 

polticas; tenho no meu municpio o que outro no Estado 

provavelmente no tenha: 800 eleitores em Currais Novos 

so seus de porteira batida}. Por que o candidato no tinha 

necessidade de fazer um comcio para os eleitores? De que 

modo ele obteria votos? Aponte quem tinha direito de votar e 

como era efetuado o voto, conforme a Constituio de 1891.



  2. {So, pois, os fazendeiros e chefes locais que custeiam 

as despesas de alistamento e da eleio. (...) Documentos, 

transporte, alojamento, refeies, dias de trabalho perdidos. 

(...) , portanto, perfeitamente compreensvel que o eleitor 

da roa obedea  orientao de quem tudo lhe paga, e com 

insistncia, para praticar um ato que lhe  completamente 

indiferente.} (Victor Nunes Leal, historiador.) Explique o 

modo como os coronis controlavam os eleitores.



  3. Em 1912, o jornalista Martim Soares apresentou alguns 

nomes de destaque no governo do Cear, que naquele ano estava 

ocupado por membros da famlia Acioly (filhos, genros, 

cunhados de filhos, primos etc.): presidente do estado 

(governador), oito deputados estaduais, o diretor, o 

vice-diretor e quatro professores lentes da Faculdade de 

Direito, o diretor e cinco professores titulares da Escola 

Normal (para formar professores), o diretor do batalho de 

segurana (espcie de polcia militar), professores do Liceu 

(a mais importante escola de nvel mdio do estado), o diretor 

e o tesoureiro dos Correios, o chefe da inspeo veterinria, 

os trs senadores do estado do Cear, dois deputados federais. 

O jornalista completava ironicamente: {E quem afirmar que no 

Cear h uma oligarquia,  porque  muito maldizente...}. 

Explique o que eram as oligarquias estaduais.



  4. Explique como o federalismo, estabelecido pela 

Constituio de 1891, favorecia o domnio das oligarquias 

estaduais.



  5. Explique o que era a Poltica do Caf com Leite.



<P>

  6. {(...) A autoridade federal (do presidente) (...) no se 

far sentir no territrio do Estado, seno por motivo 

pertinente aos interesses gerais da Unio. (...).} (Campos 

Salles, discurso de 31/10/1897.) {(...) Dirige-me (...) aos 

governos dos Estados, onde iniludivelmente reside a verdadeira 

fora poltica deste regime. (...) O meu pensamento era 

proporcionar a todos os grupos garantias iguais, com absoluta 

imparcialidade. (...).} (Campos Salles. {Da propaganda  

Presidncia}, 1908.) Criada pelo presidente Campos Salles 

(1898-1902), a Poltica dos governadores era um importante 

instrumento de estabilidade poltica durante a Repblica 

Velha. Explique o que era a Poltica dos Governadores.



<50>

  7. Mostre como os coronis dependiam dos presidentes 

(governadores) dos estados.



<P>

  8. Diga o que a Constituio de 1891 estabeleceu a respeito 

da relao entre a Igreja e o Estado.



  9. Caracterize a situao econmica do caf durante a 

Repblica Velha.



  10. {Artigo Primeiro: Durante o prazo que for conveniente, 

os Estados contratantes obrigam-se a manter, nos mercados 

nacionais, o preo mnimo de 55 a 65 frs. (...) por saca de 60 

quilos de caf.} O que foi o Acordo de Taubat (1906)?



  11. {(...) o seringueiro, ao fim da safra, est sempre a 

dever ao patro e, quase irremissivelmente, passa de um para 

outro carregado de dvidas, que a estes o jungem como se fora 

escravo.} ({Jornal do Commrcio}, 1915.) Caracterize o chamado 

{ciclo da borracha} durante a Repblica Velha destacando: a 

importncia para a economia mundial; onde a borracha era 

produzida; a situao das classes sociais; os motivos para a 

decadncia.



  12. Durante a crise do Encilhamento (1891), o escritor Artur 

Azevedo redigiu ironicamente: {Encilhamento, -- Quem te v e 

quem te viu! -- Ouro, brilho e movimento, -- Tudo agora se 

sumiu! -- Quando a fortuna sorria, -- Tu foste um ninho de 

heris... -- Encilhamento, hoje em dia, -- No vale dois 

caracis!}. Rui Barbosa, ministro do presidente Deodoro, 

criou um plano econmico que seria chamado de Encilhamento. 

Qual era seu principal objetivo? De que modo Rui procurou 

atingir sua meta? O objetivo foi alcanado? Quais foram os 

efeitos negativos do Encilhamento?



  13. Durante a Repblica Velha (1889-1930), instalaram-se 

vrias fbricas no Brasil. De onde veio o capital para as 

indstrias de So Paulo e do Rio de Janeiro?



  14. {(...) a luta universal para conquistar o progressivo 

melhoramento do proletariado ou das classes assalariadas em 

geral comeou a manifestar-se tambm no continente 

sul-americano, e de modo especial no Brasil. (...)} (Programa 

do Partido Socialista Brasileiro, So Paulo, 26/8/1902.) O 

aparecimento de fbricas fez com que surgisse uma nova classe 

social no Brasil, o proletariado. De onde vieram essas pessoas 

que trabalhavam como operrios industriais durante a Repblica 

Velha?



  15. Qual era o principal tipo de indstria que se desenvolveu 

na Repblica Velha? Por que os empresrios brasileiros tinham 

grandes dificuldades para desenvolver indstrias de ao e de 

mquinas pesadas?



<P>

  16. {(...) resulta que 75% dos lucros do comrcio (no Brasil) 

(...) vo para mos estrangeiras. (...) H ainda dividendos 

(lucros) de capitais (estrangeiros) empregados nas empresas, 

propriedades, aes de companhias, de bancos, de ttulos 

pblicos, lucros das especulaes de cmbio (...) pois que 

essas companhias (estrangeiras) nos arrancam todas as 

economias, fruindo garantias e vantagens de que no gozam as 

instituies nacionais. (...).} (Inocncio Serzedel. {O 

problema econmico do Brasil}, 1903.) At a Primeira Guerra 

Mundial (1914-1918), qual era o pas que mais tinha investido 

capital no Brasil? Depois que a guerra acabou, qual era o pas 

que mais abria empresas no Brasil?



<51>

<P>

Reflexes Crticas



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: homem votando em       o

  urna eletrnica. Atualmente,   o

  o voto  secreto e realizado    o

  eletronicamente. As possibi-   o

  lidades de fraude so peque-    o

  nas. Entretanto, alguns pro-   o

  blemas polticos permanecem.    o

  Afinal, como garantir que os   o

  eleitores votem com conscin-   o

  cia? Como ter certeza de que   o

  campanhas eleitorais milion-   o

  rias, valendo-se de tcnicas    o

  publicitrias sofisticadas,     o

  no iro afetar a deciso de    o

  voto das pessoas?               o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  1. Hoje em dia, ao contrrio da Repblica Velha, o voto  

secreto. S o eleitor  que sabe em quem votou. Mas ser que 

isso  suficiente para evitar que grupos poderosos influenciem 

os eleitores?



  2. Todos os brasileiros pagam impostos.  com esse dinheiro 

que o governo faz suas obras e paga os funcionrios pblicos. 

O que  melhor para o Brasil: que esse dinheiro seja controlado 

pelo governo federal em Braslia, pelos governos estaduais, ou 

por cada prefeitura.



  3. O fenmeno poltico do coronelismo deixou de existir no 

Brasil atual? Existe algum que influencia as opes dos 

eleitores no local em que voc vive?



  4. Faa uma pesquisa para conhecer a relao entre a produo 


de borracha e o modo como o Acre passou a fazer parte do 

territrio brasileiro.



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